Transplante capilar nas entradas: linha frontal e recesso temporal
Por Dr. Rafael Ultramar · MÉDICO · CRM-SP 212202
Publicado em · 7 min de leitura
No transplante capilar nas entradas, a linha masculina é planejada em duas partes: a linha frontal (hairline), que emoldura o rosto na horizontal, e o contorno temporal, o encaixe lateral. O ponto central do desenho costuma apoiar onde termina a parte plana da testa, e os fios mais finos vão na borda.
"Entradas" é o nome popular para os cantos da linha frontal que recuam, de um lado e do outro da testa. É uma das queixas mais comuns de quem procura transplante capilar, e também uma das regiões em que o desenho mais aparece. Este guia mostra como essa linha é planejada, que fio vai em cada parte e quando o plano precisa ser mais contido.
Quais são as duas partes da linha masculina?
A linha masculina do cabelo tem duas estruturas que se planejam separadamente: a hairline, na frente, e o contorno temporal, na lateral. O Dr. Rafael Ultramar explica assim:
"Linha masculina, ela é sempre dividida em duas partes. (...) Hairline, que é essa região superior, que é o que dá essa moldura horizontal aqui para o rosto. E ela se divide no que a gente chama de contorno temporal, que é esse encaixe lateral." (Dr. Rafael Ultramar)
| Estrutura | Onde fica | O que faz no rosto | O que pede no planejamento |
|---|---|---|---|
| Hairline (linha frontal) | Na frente, acima da testa | Dá a moldura horizontal do rosto | Ponto central bem posicionado e borda irregular |
| Entradas | Nos cantos da linha frontal | Definem o quanto a testa parece "aberta" | Fechar a abertura sem apagar a forma da linha |
| Contorno temporal (recesso temporal) | Na lateral, acima da têmpora | Encaixa o cabelo ao rosto, de frente e de perfil | Fios finos, ângulo rente à pele, muito cuidado |
Na cirurgia, a ordem também segue essa divisão. Primeiro se encaixa a linha da frente; depois, se for preciso, se avança para a região lateral.
Onde a linha frontal começa?
A linha frontal não começa numa medida fixa. O ponto de partida é a anatomia de cada rosto, olhado de frente e de perfil. Num caso que comentou, o Dr. Rafael descreveu o critério:
"O ponto central da hairline já está apoiado exatamente onde termina a região mais plana da testa. Isso traz para a gente o limite entre testa e couro cabeludo." (Dr. Rafael Ultramar)
A partir desse ponto central, o trabalho nas entradas costuma ser encurtar a abertura dos cantos, e não descer a linha inteira. Uma linha baixa demais para a idade ou para o formato do rosto chama atenção, e é justamente o que o desenho quer evitar.
Por isso não existe "quantos centímetros" no transplante nas entradas. A marcação é feita no dia da cirurgia, com o paciente acordado, antes de qualquer anestesia.
O que é o recesso temporal e por que ele pede cuidado?
O recesso temporal é a parte lateral da linha, acima da têmpora, que liga a frente do cabelo ao lado da cabeça. É ele que dá ao rosto um contorno mais marcado, de frente e principalmente de perfil:
"Desenha muito, porque você esquadra o rosto, deixa ele mais encaixado." (Dr. Rafael Ultramar)
Por ser tão visível, é também a área em que qualquer desvio de ângulo ou de tipo de fio aparece. O Dr. Rafael resume assim:
"É a cerejinha do bolo, se bem feita, mas é uma área que tem que ter muito, muito, muito cuidado na reconstrução." (Dr. Rafael Ultramar)
Nem todo plano inclui o recesso temporal. Quando a área doadora é limitada e há outra região com mais necessidade, como a coroa, o planejamento pode deixar o recesso de lado para concentrar unidades onde elas fazem mais diferença.
Que fio vai na borda da linha?
Na borda da linha frontal e nas margens do recesso vão os fios mais finos. É assim que a borda transplantada se aproxima da natural, em que os fios da frente são os mais delicados.
"As margens aqui do recesso, eu preciso de um folículo de fio mais fino, que eu pego do pezinho." (Dr. Rafael Ultramar)
O "pezinho" é a parte de baixo da área doadora, na nuca, onde os fios costumam ser mais delicados. As unidades do meio da área doadora, com mais fios, vão para trás da borda, onde dão volume.
O ângulo pesa tanto quanto o fio. Na lateral, os fios precisam sair quase paralelos à pele do rosto. Em quem tem cabelo fino, esse cuidado com o ângulo é o que faz a diferença para o resultado parecer natural. A cor também entra: como o grisalho costuma começar nas laterais, a escolha dos fios que vão para a frente leva em conta o tom do cabelo do resto da cabeça.
Esse trabalho de escolher e posicionar cada unidade acontece na sala cirúrgica. O Dr. Rafael Ultramar conduz pessoalmente cada uma das suas cirurgias, do início ao fim, com um único paciente por dia, acompanhado da equipe e de médico anestesista. O guia sobre unidades foliculares e fios explica a diferença entre uma unidade e outra.
E quando um lado recuou mais que o outro?
É comum que as entradas não recuem por igual. O desenho acompanha a evolução de cada lado: num dos casos que comentou, o Dr. Rafael observou que um lado tinha recuado mais que o outro e ajustou a marcação para isso.
O objetivo não é uma linha simétrica como se fosse feita com régua. O que se busca é uma linha equilibrada, com irregularidades que fazem a transição para a testa:
"A gente tem que ter várias imperfeições aqui para criar essa zona de transição entre a pele lisa, aqui da testa, para onde a gente entra no couro cabeludo." (Dr. Rafael Ultramar)
Por que uma linha reta denuncia a cirurgia é o assunto do texto sobre transplante capilar natural.
Dá para rejuvenescer sem mudar a cara?
Dá, e esse é o cuidado central do transplante nas entradas. Fechar as entradas costuma deixar o rosto com aspecto mais jovem, mas a linha precisa continuar parecendo da pessoa. Se o paciente tem uma pontinha central mais avançada, por exemplo, o desenho mantém essa forma.
"A gente vai estar jovializando o visual, mas mantendo a identidade." (Dr. Rafael Ultramar)
Uma linha que não combina com o rosto cria estranheza, para quem olha e para a própria pessoa no espelho. A conversa sobre o desenho, antes da cirurgia, serve para alinhar esse ponto.
Dá para fazer transplante só nas entradas, com ou sem raspar?
Dá para fazer transplante só nas entradas quando a perda está concentrada na frente. É o caso típico de quem tem bastante volume no resto da cabeça e usa o cabelo mais comprido: a intervenção fica só na região frontal e, muitas vezes, pode ser feita sem raspar.
Quando a área é localizada, a técnica sem raspar costuma ser uma opção a considerar, mas a indicação é caso a caso. Com ou sem raspagem, o que define a escolha é o momento de cada paciente e o tipo de cabelo. Como funciona a técnica está no guia de transplante capilar sem raspar.
Quando o desenho precisa ser mais conservador?
O desenho nas entradas precisa ser mais contido em algumas situações:
- A área doadora é limitada. Ela é finita, e o que se usa na frente não fica disponível para outras regiões.
- A calvície ainda está avançando. A calvície é um afinamento progressivo do fio. Uma linha planejada só para o momento atual pode ficar isolada se o cabelo de trás continuar afinando.
- Há outra região com mais necessidade. Com entradas e coroa ao mesmo tempo, o plano pode precisar escolher onde concentrar as unidades.
- A expectativa é de uma linha muito baixa. O limite entre testa e couro cabeludo é anatômico, e descer a linha além dele chama atenção.
Em todos esses casos, a avaliação pode indicar uma linha mais recuada do que a pessoa imaginava, ou que ainda não é o momento de operar.
Perguntas frequentes
Dá para fazer transplante capilar só nas entradas?
Dá, quando a perda está concentrada na frente e a avaliação mostra que o restante do cabelo tem volume. Nesses casos, o trabalho se concentra em reconstruir a linha frontal e o contorno temporal. A avaliação também considera se a calvície tende a avançar para outras regiões.
Dá para fazer nas entradas sem raspar?
Em muitos casos, sim. Quando a área é localizada e o paciente tem cabelo comprido na frente, a cirurgia pode ser feita sem raspar a cabeça. A indicação depende da avaliação, e o guia sobre transplante capilar sem raspar explica como funciona.
A linha frontal fica reta?
Não. O desenho tem pequenas irregularidades de propósito, porque uma linha reta e alinhada demais parece artificial. Essas irregularidades criam a transição entre a pele da testa e o couro cabeludo, como acontece no cabelo que nasceu ali.
Quantas unidades vão nas entradas?
Depende do quanto a linha recuou, da densidade que se quer e da área doadora. Por isso o número só sai na avaliação. O guia sobre unidades foliculares explica como essa conta é feita.
A linha feminina é diferente?
É. A linha masculina se divide em duas estruturas, a hairline e o contorno temporal. A feminina costuma ser mais arredondada, sem essa divisão, e a direção do fio acompanha essa curva.
Conteúdo informativo; não substitui avaliação médica.