O cabelo transplantado cai? Por que ele cai no início e não afina depois

Por Dr. Rafael Ultramar · MÉDICO · CRM-SP 212202

Publicado em · 5 min de leitura

O cabelo transplantado costuma cair nas semanas seguintes à cirurgia e depois volta a crescer. O que cai é a haste do fio; a raiz fica. O que ele não faz é afinar como o cabelo da calvície, porque o folículo vem da área doadora e mantém as características de lá.

"O cabelo transplantado cai?" é uma pergunta com duas respostas, e as duas são verdadeiras. Sim, ele cai no começo, e isso faz parte do processo. Não, ele não segue o caminho da calvície. Este texto explica as duas partes, com o que diz a Sociedade Internacional de Cirurgia de Restauração Capilar (ISHRS) e com a explicação do Dr. Rafael Ultramar.

O cabelo transplantado cai?

O cabelo transplantado cai, sim, nas primeiras semanas. Muita gente ouve que "o cabelo transplantado não cai mais" e se assusta quando vê os fios saindo depois da cirurgia. O Dr. Rafael corrige essa ideia de frente:

"Ele cai, ele volta a crescer. (...) O que não acontece com o cabelo transplantado? Afinamento. Que é o que leva, de fato, à calvície." (Dr. Rafael Ultramar)

São dois fenômenos diferentes. A queda do início é temporária e acontece com o fio. O afinamento da calvície é progressivo e acontece com o folículo. O transplante muda o segundo, não o primeiro.

Por que ele cai nas primeiras semanas?

O cabelo transplantado cai nas primeiras semanas porque, depois da cirurgia, a haste do fio costuma se soltar, enquanto a raiz fica. Na cirurgia, cada unidade folicular sai da área doadora e é colocada na área que vai receber os fios, com a raiz e o fio que ela já tinha. A raiz se fixa no novo lugar e entra em repouso; o fio que veio junto, em geral, cai.

A ISHRS descreve a sequência assim, no material para pacientes:

  1. Nos primeiros dias, formam-se pequenas casquinhas em volta de cada unidade transplantada.
  2. As casquinhas costumam se soltar entre 5 e 14 dias depois da cirurgia.
  3. Depois disso, os fios transplantados podem cair, e a raiz permanece no couro cabeludo, em repouso.
  4. Esse repouso dura cerca de 10 a 14 semanas. Depois dele, os fios novos começam a crescer.

Na prática, muita gente passa por uma fase em que o visual parece voltar ao de antes da cirurgia. A ISHRS chama esse momento de volta ao estado "invisível" do transplante. O Dr. Rafael avisa os pacientes logo depois da cirurgia, quando o cabelo ainda parece cheio:

"Depois cai. Aí cai tudo. E aí é paciência." (Dr. Rafael Ultramar)

A forma de lavar e de cuidar das casquinhas nessa fase é orientada pela equipe, assunto do guia de cuidados do pós-operatório.

Quando o cabelo transplantado volta a crescer?

O cabelo transplantado volta a crescer devagar, ao longo de meses. Segundo a ISHRS, os fios novos costumam começar a nascer entre 10 e 16 semanas depois da cirurgia. A mesma sociedade lembra que o cabelo cresce cerca de 1 cm por mês, e que o resultado completo costuma levar um ano ou mais para aparecer.

Os primeiros fios costumam nascer finos e ganham espessura com o tempo. Quando passou pela cirurgia, em 2026, o Dr. Rafael gravou o que esperava dos meses seguintes:

"Vamos ver de fato quando o cabelinho começar a cair e voltar a crescer. Aí, gente, é dois, três, quatro, cinco, seis meses pra frente até que a gente consiga ter de fato um visual bem ajustado." (Dr. Rafael Ultramar)

Esse é o relato do caso dele. O ritmo varia de pessoa para pessoa, e a equipe acompanha a evolução nos retornos. A cronologia mês a mês está no texto sobre o resultado do transplante capilar mês a mês.

Por que o fio transplantado não afina?

O fio transplantado não afina como o da calvície porque vem de uma região que a calvície costuma poupar. A calvície masculina mais comum, segundo a ISHRS, faz os fios da frente e do topo encolherem de espessura a cada ciclo de crescimento, até sumirem. O Dr. Rafael descreve assim:

"A calvície é essa atrofia." (Dr. Rafael Ultramar)

Os fios da parte de trás e das laterais da cabeça, a área doadora, costumam resistir a esse processo, segundo a mesma sociedade. Quando um folículo dessa região é levado para a frente, ele tende a manter o comportamento de origem.

Esse princípio tem nome na história da medicina. O Parecer CFM nº 3/2023 lembra que foi o dermatologista norte-americano Norman Orentreich quem introduziu o conceito de que o folículo piloso, quando transplantado, mantém as características da área de onde foi removido. É essa ideia que sustenta o transplante capilar moderno.

Há um limite importante. A ISHRS registra que, com o envelhecimento, muitas pessoas perdem um pouco de densidade na cabeça toda, e isso também atinge os fios transplantados. Não afinar como a calvície não quer dizer que o fio fique igual por toda a vida.

E o cabelo que não foi transplantado?

O cabelo que não foi transplantado continua sujeito à calvície. O transplante redistribui fios; ele não trata a causa da calvície no cabelo que ficou na frente e no topo.

Existe ainda um efeito temporário que confunde muita gente. A ISHRS descreve que, depois da cirurgia, alguns pacientes têm uma queda temporária dos próprios fios nativos, os que não foram transplantados, chamada eflúvio telógeno, e que esses fios tendem a voltar nos meses seguintes. Por isso, nas primeiras semanas, pode parecer que cai mais cabelo do que foi transplantado.

Manter o cabelo que não foi transplantado é assunto de tratamento clínico, feito com o médico que acompanha cada paciente. O texto sobre o que fazer com a calvície depois do transplante trata disso.

Quando a queda merece uma conversa com a equipe?

A queda das primeiras semanas é esperada. Ainda assim, alguns sinais pedem contato com a equipe antes do retorno marcado:

  • Vermelhidão, dor ou secreção em volta dos fios transplantados ou da área doadora.
  • Queda em áreas que não foram operadas e que não para depois de alguns meses.
  • Ausência de crescimento quando já passou o prazo que a equipe indicou para o seu caso.

Cada caso tem um ritmo, e a avaliação nos retornos é o que separa a queda esperada de algo que precisa de atenção. Também é nos retornos que se avalia, com o tempo, se a área doadora comporta uma nova cirurgia no futuro. O texto sobre área doadora no transplante capilar explica essa conta.

Perguntas frequentes

Todo o cabelo transplantado cai?

É comum que boa parte dos fios transplantados caia nas semanas seguintes à cirurgia, e muitas vezes quase todos caem. O que cai é a haste do fio: a raiz, o folículo, continua no lugar e volta a produzir cabelo meses depois. A quantidade que cai varia de pessoa para pessoa.

Com quantos dias o cabelo transplantado cai?

Segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia de Restauração Capilar (ISHRS), as casquinhas costumam se soltar entre 5 e 14 dias depois da cirurgia, e os fios transplantados caem depois disso. O momento exato muda de caso para caso, e a equipe acompanha essa fase nos retornos.

Quando o cabelo transplantado volta a crescer?

A ISHRS descreve que a raiz fica em repouso por cerca de 10 a 14 semanas e que os fios novos costumam começar a crescer entre 10 e 16 semanas depois da cirurgia. O resultado completo costuma levar um ano ou mais para aparecer.

O cabelo transplantado pode cair de novo anos depois?

O fio transplantado tende a manter o comportamento da área doadora e não afina como o cabelo da calvície. Com a idade, a ISHRS registra que muitas pessoas perdem um pouco de densidade na cabeça toda, e isso também atinge os fios transplantados. O cabelo que não foi transplantado continua sujeito à calvície.

Vou precisar de outro transplante?

Depende de como a calvície evolui no cabelo que não foi transplantado e de quanto ainda existe de área doadora. Algumas pessoas fazem uma segunda cirurgia anos depois; outras não precisam. Essa avaliação é feita caso a caso, nos retornos.

Fontes

  1. ISHRS: Medical and Surgical Options to Restore Hair (folheto ao paciente, 2005)
  2. ISHRS: FUE Hair Transplant: Benefits, Process & Recovery
  3. Parecer CFM nº 3/2023 (Processo-Consulta CFM nº 1/2023)

Conteúdo informativo; não substitui avaliação médica.

Avaliação com o Dr. Rafael Ultramar