Transplante capilar dói? O que se sente na cirurgia e nos primeiros dias

Por Dr. Rafael Ultramar · MÉDICO · CRM-SP 212202

Publicado em · 8 min de leitura

O transplante capilar tem uma etapa que costuma ser sentida: a aplicação da anestesia local. Nas cirurgias do Dr. Rafael Ultramar, ela só começa depois que o paciente já está sedado por um médico anestesista. Depois da cirurgia existe desconforto, que a equipe ajuda a controlar: ardência na primeira lavagem, algum inchaço e noites em que dormir incomoda.

Quem pesquisa "transplante capilar dói" quase sempre quer saber três coisas diferentes: se a anestesia dói, se vai ficar acordado durante horas de cirurgia e como são os dias seguintes. Este texto responde cada uma, com o que diz a norma do Conselho Federal de Medicina (CFM) e com o relato de um médico que opera transplante capilar e, em agosto de 2026, passou pela mesma cirurgia como paciente.

O que se sente em cada etapa do transplante capilar?

O transplante capilar é uma cirurgia longa, feita por etapas. A sensação muda de uma para outra, e é por isso que a resposta honesta para "dói?" depende do momento de que se está falando.

Etapa O que acontece O que costuma ser sentido
Marcação O desenho da linha frontal é feito na pele e, quando necessário, o cabelo é cortado Etapa feita com o paciente acordado, antes de qualquer anestesia
Início da sedação O anestesista conduz a sedação na sala cirúrgica A sensação de adormecer
Anestesia local Aplicada na área doadora e na área que vai receber os fios, já com o paciente sedado Percepção reduzida; depende do nível de sedação definido pelo anestesista
Extração e implantação As unidades foliculares são retiradas e colocadas uma a uma, durante horas Com a região anestesiada e sob sedação, o paciente não acompanha essa fase
Despertar O paciente vai para a sala de recuperação pós-anestésica (RPA) e fica de uma a duas horas em repouso Cabeça clara, corpo lento, olhos sensíveis à luz
Primeira noite Volta para casa com as orientações da equipe Dormir é o que mais incomoda
Primeira lavagem Feita no dia seguinte Ardência na área doadora
Terceiro dia O inchaço costuma chegar ao pico Sensação de testa inchada, principalmente na parte da frente

A duração pesa nessa conta. Segundo o Parecer CFM nº 3/2023, exceto em transplantes de poucas unidades foliculares, a cirurgia costuma durar de oito a dez horas. Passar esse tempo acordado ou sedado muda muito a experiência, e é aí que entra a escolha da anestesia.

Anestesia local, sedação e o papel do anestesista: qual a diferença?

A anestesia local deixa dormente só a região operada. Ela é usada em todo transplante capilar, porque é o que bloqueia a sensação no couro cabeludo durante a extração e a implantação dos fios.

A sedação é outra coisa: são medicamentos aplicados por um médico para reduzir a consciência e a ansiedade durante a cirurgia. Ela pode ser mais leve ou mais profunda, e quem define o nível é o anestesista, de acordo com a saúde de cada paciente. A anestesia geral, aquela em que o paciente fica totalmente inconsciente, é raramente usada no transplante capilar, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia de Restauração Capilar (ISHRS).

Vale ser claro sobre um ponto: a literatura médica descreve a técnica FUE como possível só com anestesia local, e um parecer do CRM do Paraná (nº 2893/2023) registra que a sedação é raramente indicada nesse procedimento. Fazer com ou sem sedação é uma decisão da equipe e do paciente, caso a caso.

Quando há sedação, o CFM orienta quem deve conduzi-la. O Parecer CFM nº 3/2023 diz que a sedação/analgesia deve ser "realizada por médico, preferencialmente anestesista, que não seja componente da equipe cirúrgica". O mesmo parecer pede ambiente cirúrgico com equipamentos e medicamentos compatíveis com o ato cirúrgico e com o anestésico, monitoramento durante toda a cirurgia e prontuário com avaliação pré-anestésica.

Nas cirurgias do Dr. Rafael Ultramar, o transplante capilar é sempre feito em centro cirúrgico, sob sedação contínua, com um médico anestesista na sala. A explicação dele para essa escolha tem a ver com o trabalho de precisão que acontece durante horas:

"O paciente confortável, ele fica mais estável, fica mais parado, e a gente consegue fazer o trabalho que a gente quer, do jeito que a gente quer." (Dr. Rafael Ultramar)

Sedação também é um ato médico com riscos próprios. Por isso existe a avaliação antes da cirurgia, e por isso a norma pede que ela seja conduzida por um médico que não faça parte da equipe cirúrgica.

Por que a anestesia local vem depois da sedação?

Porque a aplicação da anestesia local é a parte que mais preocupa quem vai operar. Fazendo essa etapa com o paciente já sedado, ela deixa de ser vivida da mesma forma. O Dr. Rafael descreve a ordem assim:

"A gente começa a fazer a anestesia local apenas depois do paciente já estar dormindo." (Dr. Rafael Ultramar)

"Dormindo", na fala dele, quer dizer sedado. A profundidade dessa sedação é definida pelo anestesista para cada pessoa.

O paciente fica acordado durante o transplante capilar?

Depende do tipo de sedação. Sem sedação, o paciente fica acordado durante toda a cirurgia, com a região anestesiada. Com sedação contínua, como nas cirurgias do Dr. Rafael, o paciente não acompanha a passagem das horas.

O momento de acordar costuma surpreender. O raciocínio volta rápido e o corpo demora mais. É assim que o Dr. Rafael explica para quem acabou de sair da cirurgia:

"A cirurgia é muito longa, então você acorda com uma ressaquinha, você fica meio devagar, a cabeça volta rápido, mas o corpo fica mais lento, não acompanha." (Dr. Rafael Ultramar)

Depois do despertar, o paciente fica de uma a duas horas na RPA, a sala de recuperação pós-anestésica, até se sentir bem o suficiente para ir para casa.

E depois do transplante capilar, dói?

Depois da cirurgia existe desconforto, e ele tem hora marcada. Saber disso antes ajuda mais do que qualquer promessa.

A primeira noite. O que pacientes costumam contar, e o Dr. Rafael confirmou quando passou pela cirurgia, é que dormir incomoda. A equipe orienta cada caso sobre como deitar nos primeiros dias. Os detalhes estão no guia de cuidados do pós-operatório.

A primeira lavagem. No dia seguinte, a área doadora costuma arder quando é lavada pela primeira vez. É uma reação esperada, parecida com a de qualquer machucado na pele quando entra em contato com sabão.

O inchaço. Algum inchaço na testa e na parte da frente do couro cabeludo é normal. Segundo o Dr. Rafael, "geralmente o terceiro dia é o pico do edema". A partir daí, a tendência é diminuir.

A medicação do pós-operatório é prescrita pela equipe para cada caso. Quanto tempo leva para voltar ao trabalho e ao treino é assunto do texto sobre recuperação do transplante capilar.

O que o Dr. Rafael viveu como paciente?

Em agosto de 2026, depois de seis anos operando transplante capilar, o Dr. Rafael Ultramar fez o próprio transplante. Até então, o que ele sabia sobre a dor do pós vinha do que os pacientes contavam. Na primeira semana, ele gravou o que sentiu:

"É bem tranquilo, o que incomoda de fato é dormir à noite." (Dr. Rafael Ultramar)

Sobre a ardência da primeira lavagem, ele foi específico:

"O único momento que eu tive ali um pouco de desconforto foi na manhã do dia seguinte, que eu voltei aqui na clínica pra poder fazer a primeira lavagem, e de fato ardeu bastante aqui na área doadora, o que é esperado. (...) Rala o cotovelo, rala o joelho, a primeira vez que você vai lavar, passa sabão, vai arder um pouquinho. Foi o que eu senti." (Dr. Rafael Ultramar)

E resumiu a mudança de ponto de vista:

"Eu trabalhava baseado em relatos. (...) Eu estou chocado em como que é tranquilo esse negócio." (Dr. Rafael Ultramar)

A experiência como paciente também mudou um detalhe do despertar. Na sala de recuperação, a luz comum do teto incomodou muito mais do que ele imaginava:

"A luz normal, cotidiana, amarela, fraca, quando ela acende no seu olho parece que tem um turbilhão iluminando a sua cara." (Dr. Rafael Ultramar)

Depois disso, a orientação para a equipe de enfermagem passou a ser manter a sala com luz apagada no despertar e ir clareando aos poucos, conforme o paciente fica mais à vontade.

Esse é o relato de uma pessoa. Cada corpo reage de um jeito, e a sensibilidade varia. O valor do relato está em mostrar onde o desconforto aparece e quando ele costuma passar.

Quando procurar a equipe?

Antes da cirurgia, a conversa mais importante é com o anestesista. Vale contar tudo: doenças, remédios de uso contínuo, alergias, experiências anteriores com anestesia e o quanto você fica ansioso com procedimentos. É com essas informações que ele planeja a sedação.

Depois da cirurgia, o esperado é que o desconforto diminua dia após dia. Em qualquer cirurgia, alguns sinais pedem contato com a equipe sem esperar o retorno marcado: dor que aumenta em vez de diminuir, sangramento que não para com leve compressão, febre, vermelhidão que cresce ou secreção nos pontos operados. Combine antes da alta qual é o canal de contato da equipe nos primeiros dias.

Para entender como o dia da cirurgia é organizado, da chegada à alta, leia como é feito o transplante capilar.

Perguntas frequentes

Transplante capilar é feito com anestesia geral?

Em geral, não. A literatura e a ISHRS descrevem a anestesia geral como raramente usada no transplante capilar. O habitual é a anestesia local, com ou sem sedação. Nas cirurgias do Dr. Rafael Ultramar, a cirurgia é feita sob sedação contínua conduzida por médico anestesista, e a anestesia local é aplicada depois que o paciente já está sedado.

Dá para sentir a aplicação da anestesia local?

Para quem opera acordado, a aplicação da anestesia local é a etapa que mais preocupa. Quando ela é feita com o paciente já sedado, a percepção dessa etapa fica bem reduzida. O quanto a pessoa percebe depende do nível de sedação, que o anestesista define caso a caso.

Quanto tempo dura a cirurgia e o paciente acompanha as horas?

Segundo o Parecer CFM 3/2023, exceto em transplantes de poucas unidades foliculares, a cirurgia costuma durar de oito a dez horas. Sob sedação contínua, o paciente não acompanha a passagem do tempo como acompanharia acordado.

Como é acordar da sedação depois do transplante capilar?

O Dr. Rafael descreve assim: o raciocínio volta rápido, mas o corpo fica mais lento por algumas horas. O paciente repousa de uma a duas horas na sala de recuperação pós-anestésica antes de ir para casa, e a sensibilidade à luz é comum nesse momento.

A área doadora dói depois do transplante?

A área doadora costuma arder na primeira lavagem, no dia seguinte à cirurgia. O Dr. Rafael, que passou pelo transplante em 2026, compara com lavar um joelho ralado: arde na primeira vez que o sabão passa. Nos dias seguintes, o que mais incomoda costuma ser dormir.

O que mais incomoda nos primeiros dias?

Pelo relato de pacientes e pela experiência do próprio Dr. Rafael, o que mais incomoda é dormir nas primeiras noites. Algum inchaço na testa também é esperado, com pico por volta do terceiro dia. A equipe orienta os cuidados e a medicação de cada caso.

Fontes

  1. Parecer CFM nº 3/2023 (Processo-Consulta CFM nº 1/2023)
  2. Parecer CRM-PR nº 2893/2023: transplante capilar (FUE)
  3. ISHRS: Anesthesia: maximizing patient comfort in surgical hair restoration

Conteúdo informativo; não substitui avaliação médica.

Avaliação com o Dr. Rafael Ultramar