Transplante capilar FUE, FUT ou DHI: o que muda entre as técnicas

Por Dr. Rafael Ultramar · MÉDICO · CRM-SP 212202

Publicado em · 6 min de leitura

FUE, FUT e DHI são nomes ligados a duas etapas do transplante capilar: retirar os folículos da área doadora e implantá-los na área receptora. Na FUE, as unidades foliculares são retiradas uma a uma. Na FUT, retira-se uma faixa de couro cabeludo. DHI é o nome de uma forma de implantar. Nenhuma é superior para todos os casos.

A confusão entre as siglas é comum porque elas não falam da mesma coisa. Duas descrevem como os folículos saem da área doadora; a terceira descreve como eles entram na pele. Este texto explica cada uma, com as definições do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Sociedade Internacional de Cirurgia de Restauração Capilar (ISHRS), sem colocar uma técnica acima da outra.

O que muda entre FUE, FUT e DHI?

A principal diferença entre FUE e FUT está na retirada dos folículos. A DHI entra numa etapa diferente, a implantação. A tabela resume:

FUE FUT DHI
Etapa de que trata Retirada dos folículos Retirada dos folículos Implantação dos folículos
Como funciona As unidades foliculares são retiradas uma a uma, com um micropunch Retira-se uma faixa de pele com cabelo da área doadora, que depois é dividida em unidades foliculares Um implantador afiado faz a abertura na pele e coloca o enxerto no mesmo movimento
Marca na área doadora Pequenas cicatrizes redondas, espalhadas (ISHRS) Uma cicatriz linear, concentrada numa área (ISHRS) Depende da técnica de retirada usada
Como os fios são implantados Com pinça ou com implantador Com pinça ou com implantador Com implantador

Em todas elas, o princípio é o mesmo: levar folículos de uma região onde o cabelo resiste à calvície para a região onde ele rareou.

O que é a FUE no transplante capilar?

A FUE é a técnica em que as unidades foliculares são retiradas da área doadora uma a uma. O Parecer CFM nº 3/2023 a descreve como a extração de unidades foliculares por meio de micropunchs, pequenos instrumentos circulares que soltam cada unidade da pele. A sigla vem do inglês e aparece de duas formas: follicular unit extraction (extração) ou follicular unit excision (excisão), forma que a ISHRS usa hoje.

Depois de retiradas, as unidades são implantadas uma a uma na área receptora. Na área doadora, ficam pequenos pontos que cicatrizam nos dias seguintes. Sobre um paciente no pós-operatório, o Dr. Rafael Ultramar explicou o que se vê nessa fase:

"Aqui já tá com tecido de granulação, que a gente chama, que é essa produção do que vai tapar os furinhos que foram feitos." (Dr. Rafael Ultramar)

O Dr. Rafael Ultramar realiza o transplante capilar pela técnica FUE, com a cabeça raspada ou sem raspar, e soma mais de 1.500 cirurgias. O Dr. Rafael Ultramar conduz pessoalmente cada uma das suas cirurgias, do início ao fim, com um único paciente por dia, acompanhado da equipe e de médico anestesista.

O que é a FUT no transplante capilar?

A FUT é a técnica em que se retira uma faixa de pele com cabelo da área doadora. O Parecer CFM nº 3/2023 descreve a FUT como a obtenção de um fuso de pele da área doadora, que é dividido em enxertos com um ou mais fios e distribuído na área receptora.

A área de onde a faixa sai é fechada com pontos. Segundo a ISHRS, isso deixa uma cicatriz linear, concentrada numa área da região doadora. O Parecer CFM lembra que o conceito de unidade folicular, base tanto da FUT quanto da FUE, foi difundido no fim dos anos 1980.

O que é a DHI no transplante capilar?

DHI é a sigla em inglês para direct hair implantation, implantação direta de cabelo. Ela não descreve a retirada dos folículos, e sim a forma de colocá-los na pele.

Na implantação, existem dois instrumentos principais, segundo a ISHRS:

  • Pinça: o enxerto é segurado com delicadeza e colocado numa abertura feita antes na pele.
  • Implantador: o enxerto é carregado num canal e um êmbolo o coloca na pele. O implantador rombo usa aberturas feitas antes; o implantador afiado faz a abertura e coloca o enxerto ao mesmo tempo.

A ISHRS explica que o termo DHI é usado para a implantação com implantador afiado e que não se trata de um método de transplante separado. Na prática, o termo costuma aparecer associado à retirada por FUE.

FUE com a cabeça raspada ou sem raspar: o que muda?

A FUE pode ser feita com a cabeça raspada ou sem raspar. A técnica de retirada é a mesma; muda o que acontece com o cabelo que não vai ser transplantado.

Na versão sem raspar, só os fios que serão transplantados são cortados. O Dr. Rafael Ultramar descreve assim:

"Os fios que serão transplantados são cortados, somente eles. A gente mantém todo o couro cabeludo intacto." (Dr. Rafael Ultramar)

Isso tem um custo de tempo. Com o cabelo comprido ao redor, cada folículo precisa ser alcançado no meio dos outros fios:

"Quando a gente faz sem corte, a cirurgia é mais cadenciada, ela é mais lentinha mesmo, porque tem fio de cabelo na frente." (Dr. Rafael Ultramar)

Quem pode fazer sem raspar e o que muda no pós é tema do guia sobre transplante capilar sem raspar.

Por que nenhuma técnica serve para todos os casos?

Porque cada técnica tem vantagens e limitações, e o que pesa mais depende de cada pessoa. O Parecer nº 2893/2023 do CRM do Paraná resume o que diz a literatura:

"Nenhuma técnica é considerada superior à outra, pois ambas as técnicas têm seus próprios méritos e deméritos." (Parecer CRM-PR nº 2893/2023)

Um guia publicado em 2023 na revista Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology vai na mesma linha para a implantação: diz que não existe um jeito absoluto de fazer a cirurgia e que um mesmo paciente pode precisar de mais de um método.

Toda técnica também tem riscos. A ISHRS registra, por exemplo, que a FUE feita de forma inadequada pode deixar a área doadora rarefeita e cicatrizes visíveis. É por isso que o planejamento da área doadora pesa tanto quanto a escolha da sigla.

Como a técnica é escolhida?

A técnica é escolhida na avaliação, a partir do caso de cada pessoa. Alguns dos pontos que entram na conversa:

  1. A área doadora: quanto cabelo há nas laterais e na nuca, e como ele é. O texto sobre área doadora no transplante capilar explica essa avaliação.
  2. A área a tratar: tamanho, região e o quanto a calvície pode avançar.
  3. O cabelo que a pessoa usa: se ela quer ou pode raspar a cabeça antes da cirurgia.
  4. A cicatriz: como cada técnica marca a área doadora e como isso combina com o corte de cabelo que a pessoa costuma usar.

A técnica escolhida também muda a organização do dia da cirurgia. O passo a passo, da chegada à alta, está em como é feito o transplante capilar.

Perguntas frequentes

Existe uma técnica de transplante capilar superior às outras?

Não para todos os casos. O Parecer nº 2893/2023 do CRM do Paraná registra que, de acordo com a literatura, nenhuma técnica é considerada superior à outra, porque FUE e FUT têm méritos e deméritos próprios. A escolha depende da área doadora, do objetivo e de cada paciente.

DHI é a mesma coisa que FUE?

Não exatamente. FUE é uma forma de retirar os folículos da área doadora, um a um. DHI é o nome usado para uma forma de implantar os folículos, com um implantador que faz a abertura na pele e coloca o enxerto ao mesmo tempo. Segundo a ISHRS, DHI descreve essa forma de implantação, não um método de transplante separado.

Qual técnica o Dr. Rafael Ultramar usa?

O Dr. Rafael Ultramar realiza o transplante capilar pela técnica FUE, com a cabeça raspada ou sem raspar. A escolha entre as duas formas é feita na avaliação, conforme o caso e o que o paciente prefere.

A FUE deixa cicatriz?

Sim, pequenas. A ISHRS descreve que a FUE quase sempre deixa pequenas cicatrizes redondas na área doadora, que, quando o procedimento é bem feito, podem ficar escondidas mesmo com cabelo curto. Depois da cirurgia, os pontos de extração cicatrizam ao longo dos dias.

Fontes

  1. Parecer CFM nº 3/2023 (Processo-Consulta CFM nº 1/2023)
  2. Parecer CRM-PR nº 2893/2023: transplante capilar (FUE)
  3. ISHRS: A guide to hair transplant surgery
  4. ISHRS: Why FUE is so confusing
  5. Park JH, Ho YH, Manonukul K. A practical guide to hair graft placement using the sharp implanter method. Clin Cosmet Investig Dermatol. 2023;16:1777-1785

Conteúdo informativo; não substitui avaliação médica.

Avaliação com o Dr. Rafael Ultramar