Pouca área doadora: transplante capilar com pelos da barba e do corpo

Por Dr. Rafael Ultramar · MÉDICO · CRM-SP 212202

Publicado em · 6 min de leitura

Quando a área doadora do couro cabeludo é pequena, pelos da barba e, em alguns casos, do tórax ou do abdômen podem complementar o transplante capilar. Esses fios são diferentes do cabelo da cabeça em espessura, comprimento e ritmo de crescimento. Por isso, usar ou não cada um deles é uma decisão tomada na avaliação, caso a caso.

Este texto explica o que significa ter pouca área doadora, quando os pelos do corpo entram na conta, o que a literatura médica diz sobre como eles crescem no couro cabeludo e quais são os limites. Não é um texto sobre transplante para a barba: aqui a barba é a região que doa os fios.

O que é ter pouca área doadora?

A área doadora é a reserva de cabelo que o transplante capilar usa. É de onde saem os folículos que vão para a região com menos cabelo. O Dr. Rafael Ultramar define assim:

"Área doadora, que é o volume de cabelo residual das regiões laterais e posteriores que a gente utiliza como recurso para poder recriar a região que o paciente eventualmente perdeu o volume ou até mesmo que nunca teve." (Dr. Rafael Ultramar)

Ter pouca área doadora quer dizer que o cabelo das laterais e da nuca não basta para cobrir a área que a pessoa gostaria de tratar. Isso acontece com mais frequência quando a calvície é extensa. Um estudo publicado em 2013 no Indian Journal of Plastic Surgery registra que, nos graus mais avançados de calvície, o cabelo doador do couro cabeludo pode não ser suficiente para todas as áreas.

A área doadora também tem limite. O que é retirado dela não volta a crescer no mesmo lugar, e o planejamento precisa considerar que a calvície pode avançar com os anos. O texto sobre área doadora no transplante capilar explica como ela é avaliada.

Barba, tórax e abdômen podem ser área doadora?

Podem, como complemento. A literatura descreve o uso de pelos do corpo e da barba como um recurso doador adicional no transplante capilar, quando o couro cabeludo sozinho não dá conta do plano.

Nas cirurgias do Dr. Rafael Ultramar, essa combinação tem um nome de trabalho: BHT, sigla em inglês para transplante de pelos do corpo. Ela pode reunir fios do couro cabeludo, da barba, do tórax e do abdômen, conforme o que cada caso tem disponível e o que o plano pede.

O mesmo estudo de 2013, feito com 35 pacientes, observou que a aceitação do resultado pelos pacientes foi mais alta quando os pelos da barba ou do corpo foram misturados com cabelo do couro cabeludo. Ou seja, eles costumam funcionar ao lado do cabelo da cabeça, e não no lugar dele.

O Dr. Rafael Ultramar conduz pessoalmente cada uma das suas cirurgias, do início ao fim, com um único paciente por dia, acompanhado da equipe e de médico anestesista. Isso vale também para os casos em que pelos do corpo entram no planejamento.

Para quem se considera usar pelos da barba ou do corpo?

O ponto de partida é ter pouca área doadora no couro cabeludo em relação ao que se quer tratar. Não é uma escolha estética para quem já tem cabelo doador suficiente.

Na literatura, aparecem principalmente dois cenários:

  1. Calvície extensa, em que o cabelo da nuca e das laterais não cobre toda a área que perdeu densidade.
  2. Cicatriz linear na área doadora deixada por uma cirurgia anterior com a técnica FUT. No estudo de 2013, os fios da barba, por serem mais grossos, deram uma cobertura considerada mais satisfatória sobre o tecido da cicatriz.

Ter um desses cenários não basta para indicar a cirurgia. Entram na conta o quanto há de pelo disponível na barba e no corpo, a cor e a espessura desses fios em relação ao cabelo, a área a tratar e a saúde geral de cada pessoa. O texto sobre quem pode fazer transplante capilar detalha a avaliação do candidato.

O pelo do corpo fica igual ao cabelo?

Não. O pelo continua tendo as características da região de onde veio. O estudo de 2013 observou que, depois de transplantados para o couro cabeludo, os fios da barba e do corpo mantiveram a cor, a ondulação e a espessura. O mesmo trabalho registra que não foi possível medir a mudança de comprimento desses fios ao longo do tempo.

Um texto publicado pela Sociedade Internacional de Cirurgia de Restauração Capilar (ISHRS), assinado pelo médico John P. Cole, descreve as diferenças assim:

Cabelo do couro cabeludo Pelo da barba Pelos de outras partes do corpo
Crescimento É a fonte preferida porque cresce de forma consistente Cresce mais e por mais tempo do que os outros pelos do corpo Costuma ser mais curto e crescer mais devagar; muitas vezes chega a 3 a 6 cm
Previsibilidade no couro cabeludo É o ponto de comparação Descrita como mais previsível do que a dos outros pelos do corpo Descrita como menos previsível
Cuidados no planejamento Base do transplante Por ser mais grosso, não costuma ir para a linha frontal nem para as têmporas (estudo de 2013) Pede atenção à fase de crescimento dos fios e à densidade

Os estudos sobre o tema ainda são escassos e pequenos, em geral séries de casos sem grupo de comparação. Por isso, o que se sabe vem sobretudo da experiência relatada pelos cirurgiões, e cada caso precisa ser planejado com essa limitação em mente.

Quais são os limites do transplante com pelos do corpo?

O uso de pelos da barba e do corpo amplia o que dá para fazer em alguns casos, mas não cobre a falta de área doadora em todos. Vale saber antes:

  • O resultado é menos previsível do que com cabelo da cabeça. Pelos de outras partes do corpo, em especial, podem crescer pouco ou ficar finos no couro cabeludo.
  • A aparência é diferente. Fios mais grossos, mais ondulados ou de cor diferente pedem cuidado com o lugar onde serão colocados, para não destoar do cabelo ao redor.
  • O corpo também tem limite. A quantidade de pelo disponível na barba, no tórax e no abdômen varia muito de pessoa para pessoa.
  • Nem todo caso é candidato. Às vezes, o ganho possível é mais modesto do que a pessoa espera, e a avaliação serve justamente para dizer isso antes da cirurgia.

O objetivo é que o plano seja honesto com o que a área doadora permite. Quando a reserva é pequena, a conversa sobre expectativa é tão importante quanto a técnica.

Usar pelos da barba muda o valor da cirurgia?

Sim. No atendimento do Dr. Rafael Ultramar, o que muda o valor da cirurgia é a técnica escolhida, e a combinação com pelos do corpo é uma dessas técnicas. O valor de cada caso é informado na consulta. O texto sobre o que define o valor do transplante capilar explica os fatores.

Isso é o mesmo que transplante de barba?

Não. No transplante de barba, a barba é a região que recebe os fios, retirados de outra região, para preencher falhas no rosto. Neste texto, a barba é a região que doa fios para a cabeça. São cirurgias com objetivos diferentes, e uma não depende da outra.

Perguntas frequentes

Pelo da barba pode virar cabelo?

Pelo da barba pode ser levado para o couro cabeludo e crescer ali, mas continua sendo pelo da barba. Um estudo de 2013 com 35 pacientes observou que os fios do corpo e da barba mantêm a cor, a ondulação e a espessura depois de transplantados. Por isso eles costumam complementar o cabelo da cabeça, e não substituí-lo.

O pelo do corpo fica igual ao cabelo?

Não. Segundo um texto publicado pela ISHRS, os pelos do corpo costumam ser mais curtos e crescer mais devagar do que o cabelo, muitas vezes chegando a 3 a 6 cm. O mesmo texto descreve o pelo da barba como mais previsível do que os pelos de outras partes do corpo.

Com barba o transplante fica mais caro?

A técnica escolhida é o que muda o valor da cirurgia, e o uso de pelos da barba e do corpo é uma dessas escolhas. O valor de cada caso é informado na consulta. O texto sobre o que define o valor do transplante capilar explica os fatores.

Quem tem pouca área doadora pode fazer transplante?

Depende do quanto há de cabelo doador, do tamanho da área a tratar e de como a calvície pode avançar. Em alguns casos, pelos da barba ou do corpo complementam a área doadora da cabeça; em outros, a cirurgia não é indicada ou precisa de um objetivo mais modesto. Isso só se define na avaliação.

Fontes

  1. Poswal A. Use of body and beard donor hair in surgical treatment of androgenic alopecia. Indian J Plast Surg. 2013;46(1):117-120
  2. ISHRS: Body hair transplant (John P. Cole, MD)

Conteúdo informativo; não substitui avaliação médica.

Avaliação com o Dr. Rafael Ultramar