Quem pode fazer transplante capilar: área doadora, grau de calvície e cabelo grisalho

Por Dr. Rafael Ultramar · MÉDICO · CRM-SP 212202

Publicado em · 6 min de leitura

Quem pode fazer transplante capilar é definido na avaliação, e o principal critério é a área doadora: é preciso ter cabelo suficiente nas laterais e na parte de trás da cabeça para redistribuir na região que perdeu volume. Também pesam o tipo de calvície, como ela tende a evoluir e a saúde de quem vai operar.

O transplante capilar não cria cabelo novo. Ele muda de lugar fios que já existem. Por isso a pergunta "posso fazer?" tem menos a ver com o tamanho da calvície e mais com o que sobrou para redistribuir. Este texto passa pelos casos que mais geram dúvida: calvície difusa, calvície extensa e cabelo grisalho.

Por que a área doadora decide quem pode fazer transplante capilar?

A área doadora é o estoque de cabelo do transplante. É dela que saem as unidades foliculares que vão para a frente, para o topo ou para a coroa. O Dr. Rafael Ultramar define assim:

"O principal critério para o sucesso de uma cirurgia chama-se área doadora, que é o volume de cabelo residual das regiões laterais e posteriores que a gente utiliza como recurso para poder recriar a região que o paciente eventualmente perdeu o volume ou até mesmo que nunca teve." (Dr. Rafael Ultramar)

A Academia Americana de Dermatologia (AAD) resume os critérios em dois pontos: ter cabelo saudável suficiente para levar à área que precisa, e a região que está afinando ser capaz de sustentar o crescimento dos fios. Na avaliação, o médico olha a densidade, a espessura, a cor e a direção dos fios da área doadora. Os detalhes de como essa leitura é feita estão no texto sobre a área doadora no transplante capilar.

Quem tem calvície difusa no topo pode fazer transplante capilar?

Pode, quando a área doadora permite, mas não em todo caso. Na calvície difusa, o cabelo afina por igual numa região inteira, em vez de recuar só nas entradas. O Dr. Rafael descreveu um caso assim, de um paciente com o topo todo rarefeito:

"Ele tem cabelo em tudo, mas não tem cabelo em nada." (Dr. Rafael Ultramar)

Nesse caso, o transplante foi possível porque a área doadora era ampla e densa. O que decide é onde está o afinamento. Quando ele fica no topo e as laterais e a parte de trás continuam cheias, há o que redistribuir.

Quando o afinamento também atinge a área doadora, a situação muda. As diretrizes de FUE da Sociedade Internacional de Cirurgia de Restauração Capilar (ISHRS) apontam a calvície difusa sem padrão, que afina também a área doadora, como uma possível contraindicação, porque a retirada pode deixar essa área com aparência muito rarefeita.

O tratamento clínico também conta. Em outro caso de rarefação difusa no topo, o paciente já fazia tratamento e era acompanhado. O Dr. Rafael explicou o que o tratamento tinha mudado:

"A despeito do tratamento clínico, a gente tem sim uma progressão num ritmo muito menor da calvície." (Dr. Rafael Ultramar)

E quando a calvície é extensa?

Quando faltam cabelo nas entradas e na coroa ao mesmo tempo, a área doadora precisa ser dividida entre duas regiões grandes. Nem sempre ela cobre tudo. Nesses casos, o Dr. Rafael defende um planejamento com marcações mais conservadoras em cada região, para que o volume não se espalhe demais.

Na prática, isso pode significar escolher prioridades: concentrar volume onde ele faz mais diferença e deixar de lado uma região que, em outro paciente, seria trabalhada. As diretrizes da ISHRS recomendam que, quando o caso pede muitas unidades foliculares, o paciente seja informado sobre o limite do que a área doadora oferece. Quando o couro cabeludo não basta, pelos da barba e do corpo podem entrar como complemento, assunto do texto sobre transplante com pelos da barba.

Cabelo grisalho ou branco pode ser transplantado?

Pode. O fio transplantado mantém as características da área de onde foi retirado, um princípio que o Parecer CFM nº 3/2023 atribui aos trabalhos de Norman Orentreich. Isso inclui a cor: um fio branco da lateral continua branco na frente.

Por isso a cor entra no planejamento. É comum o cabelo começar a ficar grisalho pelas laterais, que são justamente a área doadora. O Dr. Rafael explica o cuidado durante uma cirurgia:

"Não é interessante que eu pegue muito cabelo grisalho aqui pra jogar pra frente, né? Então tem que ter esses equilíbrios." (Dr. Rafael Ultramar)

E quando o cabelo já é quase todo branco, a lógica se inverte:

"Às vezes o cara chega com o cabelo branco aqui. Então pra poder refazer isso, é importante usar bastante cabelinho branco também, pra poder dar esse equilíbrio." (Dr. Rafael Ultramar)

O objetivo é que a região reconstruída combine com o resto da cabeça.

Por que o tratamento clínico entra junto com o transplante?

Porque o transplante muda fios de lugar, mas não interrompe a calvície nos fios que ficaram. A AAD lembra que a perda e o afinamento podem continuar depois do transplante, e que por isso o médico pode recomendar um tratamento para a queda.

A idade também pesa. A AAD diz que homens jovens com queda de cabelo podem ser orientados a esperar e começar um tratamento antes de operar. As diretrizes da ISHRS explicam o motivo: em pacientes jovens, é difícil prever até onde a calvície vai avançar, e isso afeta o cálculo de quanto da área doadora pode ser usado com segurança.

O tratamento clínico é conduzido pelo médico que acompanha você. Como ele se encaixa antes e depois da cirurgia está no texto sobre o que acontece com a calvície depois do transplante.

Quando o transplante capilar não é indicado?

A avaliação também serve para dizer não, ou não agora. Estes são os cenários mais comuns:

  1. A área doadora é insuficiente para o que se quer reconstruir, mesmo com pelos do corpo.
  2. O afinamento atinge também a área doadora, como na calvície difusa sem padrão.
  3. A evolução da calvície ainda é difícil de prever, o que costuma acontecer em pessoas mais jovens.
  4. Há doenças do couro cabeludo que interferem na densidade, como as que a ISHRS cita (alopecia areata, psoríase e alopecias cicatriciais), e precisam ser avaliadas antes.
  5. A saúde geral não permite a cirurgia naquele momento. O transplante é uma cirurgia longa, com sedação, e exige exames pré-operatórios que também passam pelo anestesista.
  6. A expectativa não cabe no que a área doadora oferece. Quando o resultado desejado pede mais cabelo do que existe, o mais honesto é ajustar o plano ou não operar.

Nenhum desses critérios é decidido à distância. Eles dependem do exame do couro cabeludo e da conversa na consulta com o Dr. Rafael Ultramar, presencial ou online. Quando a cirurgia é indicada, vale saber como ela acontece: o Dr. Rafael Ultramar conduz pessoalmente cada uma das suas cirurgias, do início ao fim, com um único paciente por dia, acompanhado da equipe e de médico anestesista.

Perguntas frequentes

Tenho calvície difusa: posso fazer transplante capilar?

Depende da área doadora e de como a calvície está evoluindo. Quando o afinamento fica no topo e as laterais e a parte de trás da cabeça têm cabelo suficiente, o transplante pode ser indicado. Quando o afinamento também atinge a área doadora, a ISHRS considera que o transplante pode não ser indicado. Só a avaliação define.

Cabelo branco pode ser transplantado?

Pode. O fio transplantado mantém as características da área de onde saiu, inclusive a cor. Por isso o planejamento equilibra fios grisalhos e escuros, para que a região reconstruída combine com o restante do cabelo.

E se a minha área doadora for pequena?

A área doadora pequena limita o que dá para reconstruir. Em alguns casos, pelos da barba e do corpo podem complementar o couro cabeludo; em outros, o planejamento precisa priorizar uma região. A avaliação mostra o que o seu caso permite.

Preciso tratar a calvície antes de operar?

A calvície pode continuar depois do transplante, nos fios que não foram transplantados. Por isso o tratamento clínico costuma entrar junto, antes e depois da cirurgia. Quem define esse tratamento é o médico que acompanha você.

Fontes

  1. American Academy of Dermatology (AAD): Hair transplant, página para pacientes
  2. ISHRS: FUE Clinical Practice Guidelines (2019)
  3. Parecer CFM nº 3/2023 (Processo-Consulta CFM nº 1/2023)

Conteúdo informativo; não substitui avaliação médica.

Avaliação com o Dr. Rafael Ultramar