Quais exames são pedidos antes do transplante capilar?

Por Dr. Rafael Ultramar · MÉDICO · CRM-SP 212202

Publicado em · 8 min de leitura

Antes do transplante capilar, a avaliação inclui exames para conferir se a cirurgia e a sedação são seguras para você. Não existe uma lista que sirva para todo mundo: quem define os exames é a equipe, junto com o médico anestesista, a partir da sua saúde, das doenças que você tem e dos remédios que usa.

Quem pesquisa "exames para transplante capilar" quase sempre quer uma lista pronta. Este texto explica por que essa lista muda de uma pessoa para outra, o que entra na avaliação antes da cirurgia, por que a equipe precisa saber de cada remédio que você usa e como é o dia do procedimento. As informações vêm de um parecer do Conselho Federal de Medicina (CFM), de sociedades médicas e da literatura. Elas não substituem a consulta.

Por que se pedem exames antes do transplante capilar?

Porque o transplante capilar é uma cirurgia, e toda cirurgia exige cuidado com a segurança de quem vai ser operado. Ao divulgar o Parecer CFM nº 3/2023, o Conselho Federal de Medicina foi direto: "como um procedimento cirúrgico que é, o transplante capilar deve ser realizado com a maior segurança possível".

Parte dessa segurança tem a ver com a anestesia. Segundo o NHS, o serviço público de saúde do Reino Unido, o transplante capilar costuma ser feito com anestesia local e sedação. A sedação usa medicamentos que reduzem a consciência e a ansiedade durante a cirurgia. Por isso é preciso conhecer antes a saúde de quem vai recebê-la.

O mesmo parecer do CFM recomenda que a sedação seja feita "preferencialmente por um anestesista que não seja componente da equipe cirúrgica". Na prática, duas avaliações participam do preparo. A equipe que vai operar olha a cirurgia, e o médico anestesista avalia se a sedação é segura para aquela pessoa.

Por que não existe uma lista igual para todo mundo?

Porque os exames servem para responder perguntas sobre a sua saúde, e essas perguntas mudam de pessoa para pessoa. Uma revisão publicada na American Family Physician, revista da Academia Americana de Médicos de Família (AAFP), trata de exames antes de cirurgias em geral. Ela diz que a decisão de pedir exames deve ser guiada pelo histórico clínico, pelas doenças associadas e pelo exame físico de cada paciente. A revisão não fala de transplante capilar especificamente, mas a lógica é a mesma.

Na internet circulam listas com exames de sangue e eletrocardiograma. Elas ajudam a entender o assunto, mas não dizem o que vai ser pedido no seu caso. Uma pessoa jovem, sem doenças conhecidas, e uma pessoa que toma remédios para o coração tendem a passar por avaliações diferentes. Quem fecha a lista é a equipe, junto com o anestesista, depois de conhecer a sua história.

O que é avaliado na consulta antes do transplante capilar?

Na consulta, a equipe reúne o que precisa saber para decidir se a cirurgia faz sentido para você e se pode ser feita com segurança. Ela olha para duas coisas ao mesmo tempo: a sua saúde geral e o seu couro cabeludo.

O que é avaliado Por que interessa
Histórico de saúde Doenças como pressão alta, diabetes ou problemas no coração entram no planejamento da cirurgia e da sedação
Cirurgias e anestesias anteriores Saber como você reagiu antes ajuda o anestesista a planejar
Alergias A equipe precisa saber delas antes de escolher medicamentos
Remédios e suplementos Segundo a ISHRS, alguns aumentam o risco de sangramento
Couro cabeludo e área doadora A área doadora, de onde saem os fios, pesa em quanto dá para transplantar e na técnica indicada
Expectativa O que você espera precisa caber no que a cirurgia consegue oferecer

Se você é ou não candidato à cirurgia, isso sai dessa avaliação, e não de algo lido na internet. O texto sobre quem pode fazer transplante capilar explica os critérios com mais detalhe. Se você faz acompanhamento clínico para queda de cabelo ou para outra doença, conte na consulta. Esse tratamento continua com o médico que acompanha o paciente.

O que levar para a consulta?

  1. Exames recentes que você já tenha, de qualquer área.
  2. A lista de remédios, vitaminas e suplementos que você usa ou parou de usar há pouco tempo.
  3. Relatórios ou receitas dos médicos que acompanham você, se tiver alguma doença em tratamento.
  4. Informações sobre cirurgias e anestesias anteriores, inclusive se houve alguma reação.
  5. As suas dúvidas anotadas, para não esquecer nada na hora.

E quem tem pressão alta ou diabetes?

Ter uma doença crônica, por si só, não responde se a pessoa pode ou não operar. Pesa como essa doença está controlada e o que o anestesista e a equipe avaliam em cada caso.

Sobre pressão alta, uma revisão publicada na Revista Brasileira de Anestesiologia em 2005 (Lorentz e Santos) registra que existe tendência de adiar cirurgias quando a pressão está acima de 180/110 mmHg. Os autores também afirmam que os níveis máximos compatíveis com cirurgia eletiva (a cirurgia programada, que não é de urgência) ainda não estão estabelecidos e que cada caso deve ser avaliado individualmente. A revisão trata de cirurgias em geral, não de transplante capilar.

Para diabetes e outras doenças, vale o mesmo. Conte na consulta, leve os exames e os relatórios que tiver e avise o médico que acompanha você que está pensando em operar.

Remédios e suplementos que você usa: por que avisar a equipe?

Porque alguns remédios mudam a forma como o corpo reage à cirurgia, e a equipe só consegue planejar com o que sabe. A Sociedade Internacional de Cirurgia de Restauração Capilar (ISHRS) orienta que o paciente informe ao médico todos os tratamentos recentes e atuais.

Isso inclui o que você parou de tomar pouco antes da consulta. Segundo a ISHRS, o paciente não deve deixar de mencionar um remédio interrompido pouco tempo antes, porque alguns efeitos continuam por dias ou semanas depois que se para de tomar.

Um dos motivos é o sangramento. A ISHRS explica que quem está com o sangue "mais fino" tem maior risco de sangramento excessivo durante e depois de qualquer cirurgia. Segundo a mesma entidade, o ácido acetilsalicílico (AAS) é um exemplo: é muito usado e costuma ser esquecido quando a pessoa lista o que toma.

Posso parar um remédio por conta própria antes da cirurgia?

Não. Avisar a equipe é uma coisa, suspender um remédio é outra. A decisão de manter, ajustar ou interromper qualquer medicamento antes da cirurgia é médica e é tomada caso a caso. Se você usa um remédio indicado por outro médico, como um anticoagulante ou um remédio para pressão, converse com esse médico e com a equipe antes de mudar qualquer coisa.

O mesmo vale para os medicamentos usados contra a queda de cabelo, como finasterida e minoxidil. Conte à equipe se usa, desde quando e se parou. A conversa sobre esses tratamentos depois da cirurgia está no texto sobre remédio depois do transplante capilar.

Como montar a sua lista de remédios?

  1. Pegue as caixas e as receitas e anote o nome de cada remédio e o princípio ativo, que vem escrito na embalagem.
  2. Anote quanto você toma e com que frequência.
  3. Inclua os remédios de uso eventual, como os que você toma para dor de cabeça ou gripe.
  4. Inclua vitaminas, suplementos, chás e produtos naturais.
  5. Anote o que você parou de tomar nas últimas semanas e quando parou.
  6. Leve a lista na consulta e mostre também ao anestesista.

Como é o dia do transplante capilar?

Nas cirurgias do Dr. Rafael Ultramar, o transplante capilar é feito em centro cirúrgico, na Ultramar Day Clinic, com sedação conduzida pelo médico anestesista. A anestesia local, que deixa dormente só a região operada, é aplicada depois que o paciente já está sedado.

Isso não é igual em todo lugar. A Cleveland Clinic, hospital dos Estados Unidos, descreve que a maioria das pessoas fica acordada durante a cirurgia e recebe medicação para anestesiar o couro cabeludo. O NHS fala em anestesia local com sedação. A forma de anestesia é definida pela equipe e pelo anestesista, e é ela que determina boa parte do preparo, inclusive as orientações de jejum.

O Dr. Rafael Ultramar conduz pessoalmente cada uma das suas cirurgias, do início ao fim, com um único paciente por dia, acompanhado da equipe e de médico anestesista.

Na sala cirúrgica, a ordem é esta:

  1. Início da sedação, conduzida pelo anestesista.
  2. Aplicação da anestesia local, com o paciente já sedado.
  3. Retirada e implantação dos pequenos grupos de fios, as unidades foliculares.

O que vem antes de entrar na sala e depois do fim da cirurgia, como o horário de chegada e a volta para casa, é passado pela equipe nas orientações do seu caso.

O preparo do cabelo depende da técnica indicada. No transplante capilar sem raspar (No Shave), só os fios que serão transplantados são cortados. Na FUE com raspagem, a área é raspada. O passo a passo completo está em como é feito o transplante capilar, e o que se sente em cada etapa está em transplante capilar dói?.

O que perguntar à equipe antes do dia da cirurgia?

  • Se é preciso jejum e por quanto tempo, no seu caso.
  • Quais remédios de uso contínuo tomar ou não tomar no dia, conforme a orientação médica.
  • Se é preciso ir com acompanhante e como voltar para casa.
  • Como chegar com o cabelo, de acordo com a técnica indicada.
  • Que roupa usar no dia.
  • O que fazer se aparecer gripe, febre ou outro problema de saúde nos dias anteriores.

Na internet aparecem prazos de jejum e listas de cuidados diferentes entre si. Para você, vale a orientação que a equipe e o anestesista passarem para o seu caso.

Perguntas frequentes

Quais exames para transplante capilar costumam ser pedidos?

Não existe uma lista que sirva para todo mundo. Os exames para transplante capilar são definidos pela equipe e pelo médico anestesista a partir do seu histórico de saúde, das doenças que você tem e dos remédios que usa. Para cirurgias em geral, uma revisão da American Family Physician (AAFP) recomenda que a decisão siga o histórico clínico e o exame físico de cada pessoa. A lista do seu caso é passada na avaliação.

Preciso parar algum remédio antes do transplante capilar?

Não pare nenhum remédio por conta própria. A ISHRS orienta informar ao médico todos os tratamentos atuais e recentes, inclusive os que você parou pouco antes da consulta. Manter, ajustar ou suspender um remédio é decisão médica, tomada caso a caso, junto com o médico que receitou.

Quem tem pressão alta pode fazer transplante capilar?

A resposta depende de uma avaliação individual feita pela equipe e pelo anestesista. Uma revisão da Revista Brasileira de Anestesiologia (2005) registra tendência de adiar cirurgias com pressão acima de 180/110 mmHg e afirma que cada caso deve ser avaliado individualmente. Conte na consulta que tem pressão alta e leve a lista de remédios e os relatórios do médico que acompanha você.

Precisa de jejum para o transplante capilar?

A orientação sobre jejum é passada pela equipe e pelo anestesista antes da cirurgia e depende do tipo de anestesia e da sua saúde. Os prazos que circulam na internet não substituem essa orientação. Na dúvida, pergunte à equipe antes do dia.

Fontes

  1. Conselho Federal de Medicina: Transplante capilar é ato médico e deve ser realizado em condições adequadas de segurança (Parecer CFM nº 3/2023)
  2. American Family Physician (AAFP): Preoperative Testing Before Noncardiac Surgery: Guidelines and Recommendations (2013)
  3. NHS: Hair transplant
  4. Cleveland Clinic: Hair Transplant
  5. ISHRS: Your medical treatment history, important information to share with your hair restoration physician
  6. Lorentz MN, Santos AX. Hipertensão arterial sistêmica e anestesia. Revista Brasileira de Anestesiologia, 2005;55(5):586-594

Conteúdo informativo; não substitui avaliação médica.

Avaliação com o Dr. Rafael Ultramar