Segundo transplante capilar: quando é possível operar de novo e o que se avalia

Por Dr. Rafael Ultramar · MÉDICO · CRM-SP 212202

Publicado em · 5 min de leitura

Dá para fazer um segundo transplante capilar quando ainda existe área doadora suficiente. As razões mais comuns são a calvície que continuou avançando depois da primeira cirurgia e a vontade de mais densidade ou de outro desenho de linha. É a avaliação que define o que é possível em cada caso.

Muita gente que já fez transplante volta a procurar avaliação anos depois. A pergunta costuma ser direta: "posso operar de novo?". Este guia explica o que decide essa resposta, o que uma nova cirurgia pode ajustar e o que se avalia antes de marcar a data.

Por que alguém faz um segundo transplante capilar?

Alguém faz um segundo transplante capilar, em geral, porque o cabelo continuou mudando depois da primeira cirurgia, ou porque os planos da pessoa mudaram. Os motivos mais comuns:

  1. A calvície continuou avançando. O cabelo nativo ao redor da área transplantada pode seguir perdendo volume.
  2. A pessoa quer mais densidade numa região que já foi tratada.
  3. A pessoa quer outro desenho: uma linha frontal diferente, um contorno temporal que não foi feito na primeira vez.
  4. Há fios numa direção que a pessoa quer ajustar.

O primeiro motivo vem da própria natureza da calvície, como o Dr. Rafael Ultramar costuma explicar:

"Calvície é o processo de afinamento progressivo do fio." (Dr. Rafael Ultramar)

Por ser progressiva, ela pode continuar nas áreas que não foram transplantadas. Um segundo transplante, nesses casos, não corrige nada da primeira cirurgia: acompanha o que a calvície fez depois dela. Por que a calvície continua e o que se usa para acompanhá-la está no texto sobre remédio depois do transplante capilar.

O que decide se dá para operar de novo?

O que decide se dá para operar de novo é a área doadora que ainda resta. É dela que saem as unidades foliculares de qualquer transplante, e ela é finita: o que foi retirado na primeira cirurgia não volta.

"O principal critério para o sucesso de uma cirurgia chama-se área doadora, que é o volume de cabelo residual das regiões laterais e posteriores que a gente utiliza como recurso." (Dr. Rafael Ultramar)

Numa segunda cirurgia, essa conta fica ainda mais importante. Parte da reserva já foi usada, e o planejamento precisa decidir onde as unidades que sobraram fazem mais diferença. Às vezes, isso significa tratar uma região e deixar outra de lado.

Quando o couro cabeludo tem pouca reserva, em alguns casos se avalia usar pelos de outras partes do corpo. O guia sobre transplante capilar com pelos da barba explica quando isso entra no plano. Como a área doadora é avaliada está no texto sobre a área doadora no transplante capilar.

O que uma nova cirurgia pode ajustar?

Uma nova cirurgia pode acrescentar unidades e, às vezes, também retirar algumas. O plano depende do que já existe na cabeça do paciente.

Em alguns casos, a marcação parte do desenho que já existe: a nova cirurgia mantém a estrutura da linha, ajusta a simetria e acrescenta volume onde a pessoa quer mais densidade. Quando há unidades numa direção que não combina com o novo desenho, o plano pode incluir a retirada de algumas delas antes de colocar as novas.

O recesso temporal, a parte lateral da linha, costuma ser onde esses ajustes mais aparecem, porque é a região em que ângulo e tipo de fio ficam mais visíveis:

"É a cerejinha do bolo, se bem feita, mas é uma área que tem que ter muito, muito, muito cuidado na reconstrução." (Dr. Rafael Ultramar)

Como a linha frontal e o recesso são desenhados está no guia de transplante capilar nas entradas.

Como é a avaliação para um segundo transplante?

A avaliação para um segundo transplante segue os mesmos passos de uma primeira consulta, com algumas perguntas a mais:

  1. O que já foi feito. Quando foi a primeira cirurgia, que regiões foram tratadas e, se a pessoa souber, quantas unidades foram usadas.
  2. A área doadora que resta. Quanto ainda há de cabelo nas laterais e na nuca, e como ficou a região de onde as unidades foram retiradas.
  3. A cicatriz. Se houver, onde está e como ela interfere em nova retirada.
  4. A calvície hoje. Que áreas perderam volume depois da primeira cirurgia e como elas tendem a evoluir.
  5. O que a pessoa quer mudar. Densidade, desenho da linha, direção dos fios.
  6. A saúde para a cirurgia. Como em qualquer cirurgia, há exames pré-operatórios. Quando algum vem alterado, o caso é revisto com o anestesista antes de confirmar a data.

Quem tiver informações da primeira cirurgia, como a data e o número de unidades, deve levá-las. Elas ajudam, mas não são indispensáveis: o exame do couro cabeludo mostra boa parte do que é preciso saber. O intervalo entre uma cirurgia e outra também é definido na avaliação, caso a caso.

A cirurgia, quando indicada, é feita em centro cirúrgico. O Dr. Rafael Ultramar conduz pessoalmente cada uma das suas cirurgias, do início ao fim, com um único paciente por dia, acompanhado da equipe e de médico anestesista.

Quando um segundo transplante não é indicado?

Um segundo transplante não é indicado em todos os casos. Algumas situações em que a avaliação pode recomendar não operar, ou esperar:

  • A área doadora não tem reserva suficiente para o que a pessoa deseja, nem com pelos de outras partes do corpo.
  • A expectativa de densidade é mais alta do que a reserva sustenta. Nesses casos, o plano possível pode ser uma cobertura menor do que a esperada.
  • A calvície ainda está avançando, e operar agora pode deixar a área transplantada isolada daqui a alguns anos.
  • Os exames ou a saúde geral não permitem a cirurgia naquele momento.

Saber que não é o momento também é uma resposta útil. Ela evita gastar uma reserva que não se repõe.

O que pensar antes de decidir?

Antes de decidir, vale lembrar que o transplante capilar é uma escolha que acompanha a pessoa por décadas: o desenho que se faz e o que se retira da área doadora ficam com ela. Na primeira cirurgia ou na segunda, vale escolher com calma.

Na prática, isso significa perguntar qual médico vai operar, como é feita a sedação, quanto da área doadora o plano vai usar e o que fica de reserva para o futuro. Um resultado natural depende menos do número de unidades e mais do desenho, do ângulo e da direção de cada fio, como explica o texto sobre transplante capilar natural.

Perguntas frequentes

Dá para refazer um transplante feito em outra clínica?

Em muitos casos, dá. A avaliação é a mesma de qualquer segundo transplante: quanto ainda existe de área doadora, como está a cicatriz, o que já foi usado e o que a pessoa quer mudar. Onde a primeira cirurgia foi feita não muda esses critérios.

Dá para tirar fios que ficaram em posição errada?

Às vezes, sim. Quando há unidades numa direção ou numa região que o paciente quer mudar, a nova cirurgia pode incluir a retirada de algumas delas, além de colocar novas unidades. Se isso faz sentido no seu caso é uma resposta da avaliação.

A área doadora aguenta duas cirurgias?

Depende de quanto foi retirado na primeira e de quanto resta. A área doadora é finita, e o que sai dela não volta. Quando o couro cabeludo tem pouca reserva, em alguns casos se avalia usar pelos da barba ou do corpo.

A linha pode ficar mais natural na segunda cirurgia?

Muitas vezes, o objetivo da segunda cirurgia é justamente o desenho: ajustar a linha frontal, a simetria ou a direção dos fios. O quanto dá para mudar depende das unidades que já estão lá e da área doadora disponível.

Conteúdo informativo; não substitui avaliação médica.

Avaliação com o Dr. Rafael Ultramar